
Setor RoxoColuna sobre Fórmula 1.
O quinto grand prix da temporada 2026 da Fórmula 1 já está em suas proximidades, sendo o Canadá a última parada do grande circo antes de uma maratona na Europa, que começa com o GP de Mônaco e emenda quatro corridas seguidas no Velho Continente. Ainda sim, o Canadá é uma grande oportunidade de se conseguir bons pontos, considerando sua natureza.
O italianinho substancialmente mais novo do que eu com idade similar a da minha sobrinha (caramba, estou velho) chega ao circuito Gilles Villeneuve com 100 pontos na tabela — e uma importante sequência de três vitórias nas primeiras quatro etapas do campeonato. Isso representa uma vantagem de 20 pontos sobre o seu parceiro George Russell, vencedor da corrida que abriu a temporada. Até o momento, ninguém esteve mais rápido e consistente do que o prodígio mercedista, e minha previsão é de que isso continue neste fim de semana.
Não tão no cangote do seu companheiro quanto gostaria, o piloto britânico de 28 anos de idade já está em sua oitava temporada na categoria máxima do automobilismo, dirigindo o carro da Mercedes desde 2022. De lá pra cá foram seis vitórias, em quase 100 grandes prêmios pela equipe, se tornando um dos principais pilotos do grid, mesmo nos tempos tenebrosos em que a Red Bull e a McLaren dominaram a categoria. Por isso, especula-se que, pode haver uma irritação do Jorjão da Massa, pois, no momento em que sua equipe volta aos ponteiros, o garotinho prodígio tem se mostrado mais consistente. Russell sobreviveu a uma experiência frustrante em sua primeira pilotagem na Mercedes lá em 2020, então, talvez isso não afete tanto ele... Mas, será que Toto Wolff pode ter em suas mãos um potencial Rosberg x Hamilton? Só o tempo dirá.
Em italiano, isso quer dizer "ser Ferrari", e é um dos lemas da scuderia vermelha. No entanto, apesar de bons números com Charles Leclerc em terceiro e Lewis Hamilton em quinto, o GP de Miami foi de se esquecer para a Ferrari. O SF-26 apesar de largar bem, não segura as pontas, e tende a despencar na tabela depois do início da corrida. O monegasco chegou a liderar o grande prêmio no estado da Flórida, mas uma maré de azar (e a Ferrari agindo como tal) culminou em um modesto oitavo lugar para eles. Enquanto isso, corre pelo paddock rumores de que Hamilton estaria frustrado com a experiência toda, e prestes a dar entrada no seu INSS ao fim dessa temporada. Cabe ao GP do Canadá a equipe mudar essa sorte.
Me reservo aqui a falar não só da equipe bicampeã de construtores nos últimos dois anos, como também do campeão do ano passado. Estou falando sobre os papaias da McLaren e o campeão Lando Norris (ainda parece estranho digitar isso). Depois de um início super inconsistente, os carros laranjas de Woking parecem ter acordado pra vida, com um Lando Norris amealhando um pódio e uma vitória na sprint, com Oscar Piastri performando bem. Na velha máxima do futebol brasileiro, "a McLaren é o time da virada" — e o GP do Canadá é a chance deles pra provar que isso não é uma coisa única. Zak Brown e Andrea Stella só esperam que não haja repeteco em Montreal do fiasco do ano passado, em que seus dois pilotos se estranharam nas voltas finais...
A pencha de estreante da F1 pode ter caído no colo da Cadillac neste ano, mas na prática, mesmo com eles assumindo os ativos da finada Sauber (rest-in-power, lenda), a Audi divide esse papel com a equipe americana, principalmente por estarem produzindo seu próprio motor. No entanto, a vida não está fácil para a dupla do experiente Nico Hulkenberg e do brasileiro Gabriel Bortoleto. Com apenas dois pontos no campeonato de construtores (graças a exibição de Bortoleto na Austrália), a equipe é a última dos que fizeram pontos, somente à frente de Cadillac e Aston Martin. Ao mesmo tempo, a Audi lida com um pesadelo fora das pistas, com trocas no alto comando da equipe. Porém, no Canadá, a sorte pode mudar, com um pacote de upgrades promissor, de acordo com o diretor Allan McNish. Sem nenhum tipo de clubismo: Bora, Borboleto!
Como meu diploma é de jornalismo e não de engenharia, não vou passar pela situação de explicar como funcionam os carros de 2026 — pra ser sincero, nem a FIA sabe disso. Mas, há expectativa para como os novos bólidos irão se comportar nas retas longas e chicanes apertadas do Gilles Villeneuve, considerando que as freadas fortes ajudam no armazenamento de energia, enquanto as retas exigem poder máximo. Se a corrida vai ser boa de verdade, só as 70 voltas dirão. Esperamos que sim.
Esse foi o Setor Roxo dessa semana. A todo momento que tiver o mínimo de movimento interessante nesse grande picadeiro que é o circo da Fórmula 1, conte com vosso intrépido comentarista a dizer algo. Até a próxima!
Sensação
Vento
Umidade



