
Setor RoxoColuna sobre Fórmula 1.
Já foram cinco corridas, faltam 17! A vitória de Andrea Kimi Antonelli no Circuito Gilles Villeneuve simbolizou o encerramento deste fim de semana de velocidade — com muita coisa pra gente desenrolar, principalmente sobre as flechas de prata. Vamos lá?
O fim de semana já começou bem com a primeira sprint da história do GP do Canadá, que trouxe o britânico George Russell na ponta da corrida curta. Geralmente, as sprints contam com as equipes tendo performances mais conservadoras, com receio de estragarem seus bólidos para a disputa da qualificação para a corrida principal, o que pode ser uma grande dor de cabeça. Mas isso não foi motivo para não termos emoção no sábado, com Russell conseguindo sua vitória depois de uma briga muito boa com o seu colega de equipe, Andrea Kimi Antonelli, que perdeu o segundo posto para Lando Norris, terminando em terceiro. A Audi sofreu pra encontrar ritmo no Canadá, e a 12ª posição de Gabriel Bortoleto foi o melhor cenário possível para os carros da montadora alemã.
Adoro quando as narrativas estabelecidas por mim seguem o seu curso — por mais que eu esteja errado. Um desses momentos em que eu "estive certo, porém errado", foi em minha previsão do "arco de vilão de George Russell", depois da vantagem trazida por Kimi Antonelli para o Canadá. A primeira briga na pista propriamente dita dos pilotos da equipe de Brackley na verdade revelaram uma frieza inesperada de Russell, com o italiano muito mais cheio de sangue no olho — ou seria molho de tomate? — afirmando que "é bom saber que podemos correr assim", levando uma bronca do chefe-pai Toto Wolff no rádio. Acertei a crise, errei o piloto. Mas, vem aí a guerra civil mercedista?
A especulação não está só nesse espaço: também entrou na mente dos estrategistas da McLaren e da Audi. A ameaça de chuva forte em Montreal nas primeiras voltas foi o suficiente para convencer as equipes de que a melhor decisão era sair de pneus intermediários. Com esse jogo, Norris chegou a liderar a corrida, depois de uma boa largada. Mas, com a pista secando, os times precisaram se recolher aos boxes para colocar compostos de pista seca. Isso representa cerca de 20 segundos a mais no seu tempo de prova de maneira "desnecessária", e prejudicou o andamento da corrida de Hulkenberg e Bortoleto, que terminaram em 12º e 13º. A estratégia poderia até ter funcionado, mas não funcionou. Tal qual o tigrinho.
O azar foi ainda maior para os atuais campeões de construtores, que terminou com o abandono de Lando Norris e uma 11ª posição de Oscar Piastri, em uma corrida atrapalhada pela chapuletada que o australiano deu na lateral de Alex Albon, da Williams. O tão prometido retorno da McLaren agora fica para Mônaco, uma pista de difícil ultrapassagem, mas que a McLaren costuma performar bem.
Quem deveria comemorar mas optou por ficar na bronca foi Max Verstappen. Mesmo conseguindo o terceiro posto na corrida do Canadá, o holandês não poupou críticas a Red Bull Racing, dizendo que sentia o carro melhor em Miami, quando terminou em quinto. Laurent Mekies, chefão da Max Verstappen Racing, disse que as críticas do piloto são importantes para que a equipe evolua. Sei lá. Está cada vez mais parecendo com que Verstappen vai pegar o ônibus da rodoviária de Mossoró diretamente para Nurburgring, e se virar pelo endurance. Ele parece mais feliz por lá.
Depois dos altos e baixos da Ferrari, o cavalinho conseguiu funcionar neste domingo para dar a Lewis Hamilton seu segundo pódio na scuderia, um resultado melhor do que o seu terceiro lugar conquistado no GP da China deste ano. Depois de um 2025 para se esquecer vestindo vermelho, fico muito feliz de ver o Hamilton reencontrando uns lugarezinhos no pódio. Quem sabe uma vitória esse ano ainda aconteça (dependendo de uma explosão nos boxes da Mercedes, Red Bull e McLaren de uma vez só)? Ah, e o Leclerc foi o quarto colocado. Resultado até bom para a Ferrari.
Aparentemente, eu estava certo na semana passada, estando errado ao dizer que eu estava errado após a sprint. Depois de um ensaio de uma nova disputa entre Antonelli e Russell (com o italiano quase protagonizando um enrosque pique Ricciardo-Verstappen 2018), o motor do britânico o abandonou, abrindo caminho para uma confortável vitória de Antonelli na pista canadense. Russell precisa mesmo mostrar uma resiliência psicológica grande nesse momento, para tentar reencontrar a forma e perseguir o seu colega de equipe.
Agora, a vantagem de Kimi para Russell é de 43 pontos, e a estatística não está fácil para o Jorjão: em apenas DUAS VEZES um piloto conseguiu reverter uma vantagem maior que essa e vencer o título. Esse foi o caso de Sebastian Vettel para com Fernando Alonso em 2012, e de Max Verstappen para Charles Leclerc em 2022. Nesses momentos, os pilotos em questão já possuíam um título mundial — e também não precisaram enfrentar um colega de equipe na briga pelo título. A escrita não está boa para Russell.
Hadjar foi quinto, Colapinto foi sexto, Lawson foi sétimo, Gasly foi oitavo, Sainz foi nono, e Bearman foi décimo. De fato, a vida foi até divertida no meio do grid, por assim dizer. Alpine cada vez mais performando bem, e com o argentino se encontrando na categoria.
Esse foi o Setor Roxo de hoje! Até a próxima semana, onde nos encontraremos no GP de Mônaco, no dia 07 de junho! Levem um lençol... Talvez dê um sono. Até lá!
Sensação
Vento
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