
Setor RoxoColuna sobre Fórmula 1.
Já foram seis corridas, faltam 16! Eu disse pra vocês levarem um lençol para Mônaco. Eu disse que talvez desse sono. Resultado: bandeira vermelha, asfalto se despedaçando, Leclerc xingando os freios ao vivo no rádio e Russell distribuindo tapete vermelho para o companheiro de equipe. Mônaco nunca deixa a gente dormir. Vamos lá?
Kimi Antonelli fez o que quiser no Principado. Pole. Liderou todas as 78 voltas. Volta mais rápida. Vitória. Isso se chama Grand Chelem — e o menino de Bolonha se tornou o mais jovem piloto da história a conquistar um. De quebra, é também o mais jovem vencedor do GP de Mônaco de todos os tempos. Agora são cinco vitórias consecutivas desde a primeira corrida da carreira. 156 pontos no campeonato. 66 de vantagem. O italiano está tão na frente que já dá pra ver o horizonte do título daqui de Mossoró.
Confesso que quando pedi para levar um lençol pra Mônaco na coluna de prévia, não esperava que o próprio asfalto fosse entrar em colapso existencial. Na volta 60, Lance Stroll bateu na curva Antony Noghès e entrou o safety car. Relargada. Charles Leclerc foi pro muro no mesmo lugar. A batida espalhou detritos, a FIA olhou pro chão e percebeu que o asfalto estava literalmente se despedaçando. Bandeira vermelha. Primeira paralisação completa do GP de Mônaco desde 2024. Mônaco não me deixou nem cochilar. E olha que eu tava virado desde o fiasco do Rafa Câmara na F2.
Falando em Leclerc: o monegasco estava em terceiro quando foi pro muro na relargada. O rádio registrou, para a posteridade e para os ouvidos sensíveis: "HONESTAMENTE, NEM VOU ASSUMIR A PORR* DA CULPA! ESSA MERD* DESSES FREIOS!"*. Bom. Os freios podem até ter contribuído, Charles, mas o asfalto também ajudou — e você bateu no mesmo lugar onde Stroll havia batido segundos antes. A Ferrari chegou ao fim de semana como favorita. Terminou com Hamilton em segundo e Leclerc no muro. Isso é Mônaco. Isso é Ferrari. Às vezes as duas coisas juntas são demais pra qualquer um.
Na prévia desta coluna, afirmei que Russell estava estendendo o tapete vermelho para o companheiro de equipe. Não sabia o quanto isso seria literal. O britânico largou em quinto, excedeu o limite de velocidade no pit lane, a Mercedes não cumpriu a punição quando o safety car entrou e ele precisou fazer um drive-through nas voltas finais — terminando em 12°, fora dos pontos. De quebra, perdeu a vice-liderança do campeonato para Lewis Hamilton. A escrita dessa temporada está ficando cada vez mais cruel para Russell. E a guerra civil mercedista, que eu tanto anunciei, está virando cada vez mais uma batalha de apenas um lado. Um massacre, se me permitir.
Pois é. O heptacampeão terminou em segundo, sobreviveu a uma penalização nos boxes, gerenciou os pneus com maestria e saiu de Mônaco como vice-líder do mundial, com 90 pontos. Não venceu, não empatou com Antonelli no ritmo, mas fez o suficiente pra passar Russell na tabela e lembrar ao mundo que ainda está por aí. A Ferrari que prometia dominar o fim de semana entregou um segundo lugar e um muro. Parcialmente, eu estava certo.
Isack Hadjar bateu no TL1 na sexta-feira, abriu uma corrida contra o tempo para os mecânicos da Red Bull e terminou em terceiro no domingo. Largou em quinto, ficou bem posicionado, aproveitou a saída de Leclerc e completou o pódio. Nem ele mesmo deve ter acreditado muito até a bandeirada. A Red Bull ainda não encontrou o carro dos anos de Verstappen, mas Hadjar está claramente aproveitando cada migalha de oportunidade.
Nosso representante teve um fim de semana para esquecer. Bateu no Q1 — na chicane Nouvelle, na última tentativa de volta rápida — e ficou em 16°. No domingo, problemas no carro o forçaram a largar dos boxes. Em Mônaco, largar dos boxes é quase uma sentença de morte, porque ultrapassagem por aqui tem raridade de solar eclipse. Terminou em 11° — após a punição de Pérez — mas fora da zona de pontuação. A Audi segue sendo o grande enigma do grid.
Sergio Pérez queimou a largada e foi punido horas depois da corrida, despencando para o 15° lugar. Com isso, Fernando Alonso avançou para o décimo posto e conquistou o primeiro ponto da Aston Martin em 2026. O espanhol levantou os braços como se tivesse vencido Le Mans. Alguém manda um e-mail pra ele dizendo que foi um ponto. Um. Ainda bem que ele não vai ler essa coluna.
No meio da confusão, Liam Lawson e Arvid Lindblad, da Racing Bulls, fizeram um fim de semana muito acima do esperado, terminando em 5° e 6°. Lindblad, em particular, foi uma das surpresas positivas da tarde. Às vezes, quando tudo ao redor desmorona — literalmente, no caso do asfalto — os pilotos mais tranquilos chegam longe.
Antonelli, 156 pontos. Hamilton, 90. Russell, 88. Leclerc, 75. A vantagem do italiano cresceu ainda mais, e agora dois dos três perseguidores mais próximos são de equipes diferentes. A próxima corrida é o GP da Espanha, em Barcelona, já neste fim de semana. Uma pista muito diferente de Mônaco — com retas, com possibilidade de ultrapassagem, e sem asfalto se despedaçando. Pelo menos a gente espera que não.
Esse foi o Setor Roxo de hoje! Até Barcelona, onde finalmente vamos saber se alguém consegue tirar Antonelli da pole. Levem protetor solar. Até lá!
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