O tênis brasileiro viveu mais um capítulo especial em Roland Garros. Em uma batalha marcada por superação, maturidade e resistência física, João Fonseca conseguiu uma vitória histórica nesta quarta-feira (28) ao derrotar o croata Dino Prizmic por 3 sets a 2, após estar perdendo por 2 a 0. As parciais foram de 3/6, 4/6, 6/3, 6/1 e 6/2, em uma partida que durou 3h27 no saibro parisiense.
Com apenas 19 anos, o brasileiro alcançou pela primeira vez a terceira rodada de um Grand Slam após uma virada desse tamanho, confirmando o crescimento meteórico vivido nos últimos meses no circuito mundial. Mais do que a classificação, João demonstrou força mental para mudar completamente o cenário de um confronto que parecia escapar de suas mãos nos dois primeiros sets.
Prizmic, atual número 72 do mundo, chegou embalado por resultados expressivos recentes, incluindo vitórias sobre Novak Djokovic e Ben Shelton no saibro europeu. Especialista na superfície, o croata aproveitou os erros do brasileiro nos momentos decisivos do início do duelo e abriu vantagem confortável.
Mas a reação de Fonseca mostrou exatamente por que ele é tratado como uma das maiores promessas do tênis mundial. A partir do terceiro set, o carioca passou a controlar melhor os pontos, aumentou a intensidade no fundo de quadra e cresceu fisicamente na partida. O domínio ficou evidente nos dois sets finais, quando o brasileiro praticamente anulou o adversário dentro de quadra.
Além da vaga na terceira rodada, João Fonseca atingiu uma marca simbólica: chegou à 50ª vitória da carreira no circuito ATP antes dos 20 anos. Desde 1990, a grande maioria dos jogadores que alcançaram esse número tão jovens acabou se tornando número 1 do mundo no futuro — um dado que reforça ainda mais a dimensão do talento brasileiro.
O triunfo também colocou João em uma lista extremamente restrita. Neste século, apenas três adolescentes conseguiram vencer uma partida em Roland Garros após sair perdendo por 2 sets a 0: Roger Federer, Thanasi Kokkinakis e agora João Fonseca.
O próximo desafio, porém, será o maior de sua curta carreira até aqui. Pela frente estará Novak Djokovic, número 4 do mundo e dono do maior número de títulos de Grand Slam da história. O duelo, previsto para sexta-feira, marcará o primeiro encontro entre o brasileiro e o sérvio.
Mesmo diante de um adversário histórico, João chega fortalecido pela campanha e pela personalidade demonstrada em Paris. Em poucos meses, o brasileiro já encarou os principais nomes da nova geração e agora terá a oportunidade de medir forças contra uma das maiores lendas da história do esporte.
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