
Castelo do PríncipeColuna para torcedores do Potiguar.
No campeonato estadual deste ano, o Potiguar contou em seu elenco profissional com dez atletas oriundos da base: Kaio Felipe (GOL), Apollo José (VOL), Elias (VOL), Gadelha (VOL), Marcos Vinicius (VOL), Gabriel Pereira (VOL), Paulo Daniel (MEI), Itamar Filho (MEI), Nikolas (ATA) e Gabriel PK (ATA). Poderiam ser onze se não fosse o imbróglio nos bastidores da negociação entre CSA/AL e o clube mossoroense envolvendo o jovem e promissor zagueiro Lucas Eduardo.
Dentre os nomes listados acima, destaca-se o volante Gadelha (foto), de 19 anos, que participou de três jogos do estadual, sendo um como titular: na vitória por 3 a 1 diante do Globo, em Serra do Mel.
Olhando, com orgulho, para o passado, ídolos que ostentavam o “DNA alvirrubro” nas veias, como Júnior Xavier, Manoel Ananias e - porque não dizer - Cícero Ramalho; campioníssimos como Márcio Cardoso; e talentos a exemplo de Berguinho, foram revelados pelo Maior do Interior e fizeram história no futebol local e nacional.
Hoje, infelizmente, o clube recorre à base não mais para encontrar uma grande referência que represente as cores alvirrubras dentro de campo. Pelo contrário, os jovens são utilizados como simples vitrine com o objetivo de mendigar a atenção de outros centros e, assim, conquistar algum tostão que venha a amenizar o crônico problema financeiro da instituição.
Disso, resta-nos o seguinte questionamento: a base do Potiguar é um problema ou uma solução?
Apesar de estar enraizado na história do clube o uso de atletas da base e da região, esse cenário, atualmente, vem se demonstrando um tanto problemático. Em entrevista concedida ao canal “Avante Potiguar” (assista ao vídeo), o presidente Jerônimo Jales afirmou que, em virtude de um contexto estrutural paupérrimo (sem estádio, sem campo para treinar e com poucas competições locais), fica inviável manter o futebol de base do Potiguar.
Até se tentou realizar um projeto encabeçado pelo médico Delano Freire, que, até então, assumiu, por via de contrato de concessão, as categorias Sub-13, Sub-15, Sub-17 e Sub-20 do alvirrubro. Porém, os demasiados custos de manutenção, somados a esse contexto de abandono do futebol local, o fizeram repensar e cancelar o contrato.
Para se ter uma noção, o próprio presidente Jerônimo afirmou que os gastos para se manter uma categoria como o Sub-20 podem chegar a R$ 50 mil, mesmo sem os jovens atletas receberem remuneração. Ainda assim, diante de todos esses obstáculos, o clube pretende manter, ao menos, o Sub-20 para este ano, com o objetivo de disputar o estadual da categoria. A última participação do Time Príncipe nessa competição foi em 2023.
Vale salientar, entretanto, que essa decisão de reativar o Sub-20 parte muito da necessidade imposta pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF), que exige aos clubes filiados participarem de, ao menos, duas competições organizadas por ela. Como o Potiguar já participou, neste ano, do Campeonato Estadual masculino da categoria profissional, resta, agora, alguma competição da base e/ou o Campeonato Estadual feminino.
Enfim, a maior parte da torcida compreende as dificuldades que o clube vem enfrentando, principalmente a níveis estrutural e econômico. A atual gestão tem que, praticamente, “vender o almoço para pagar a janta”. Tanto é que o clube ainda deve, até o momento em que esse post foi escrito, quinze (15) dias de trabalho ao elenco profissional de 2026.
No entanto, o futebol de base do Potiguar jamais deve ser negligenciado! Além de ir na contramão da própria raiz do clube, forjado a fomentar o desporto local e a promover, desde sempre, jovens atletas, é principalmente por meio das “crias do alvirrubro” que podemos vislumbrar uma luz no fim do túnel. Basta ver o exemplo de clubes como o Mirassol, do interior de São Paulo. A venda de um ativo da base, o atacante Luiz Araújo (que hoje atua no Flamengo/RJ), fez o clube embolsar R$ 8 milhões. Essa verba resultou numa mudança radical na estrutura do Mirassol, a ponto de sair da Série D e estar, em um período de seis (6) anos, hoje, disputando uma Copa Libertadores da América.
Em síntese, respondendo à pergunta central deste post, a base do Potiguar passa a ser um problema se ela não existir! Cabe à atual gestão e às futuras entenderem que o “DNA alvirrubro” preservará tanto essência do Maior do Interior, quanto dará uma possibilidade real de nos estruturarmos enquanto clube profissional. Ainda que não se crie mais referências dentro de campo (como antigamente), os garotos podem fazer, na atual conjuntura do futebol, a nossa máquina, finalmente, voltar a girar.
Sensação
Vento
Umidade



