A sobrevivência do Fluminense na Copa Libertadores ganhou mais um capítulo de tensão e resistência. Empurrado pela torcida no Maracanã, o time carioca venceu o Bolívar por 2 a 1 nesta terça-feira, pela quinta rodada da fase de grupos, manteve viva a possibilidade de classificação às oitavas de final e adiou a definição da vaga para a última rodada.
Os gols da vitória tricolor foram marcados por Lucho Acosta e John Kennedy. Pelo lado boliviano, Melgar descontou e aumentou a tensão em uma noite que terminou com alívio no Maracanã, mas também com contas a fazer.
A vitória era obrigação. Qualquer resultado diferente praticamente encerraria o sonho continental do Fluminense. O triunfo veio, mas a margem curta de gols faz a equipe ainda depender de resultados paralelos para avançar.
Na rodada decisiva, o time carioca terá pela frente o Deportivo La Guaira, novamente no Maracanã. Além de vencer, precisará observar atentamente o duelo entre Bolívar e Rivadavia para saber se continuará vivo no torneio.
O cenário poderia ter sido menos complicado. O Fluminense entrou em campo consciente de que uma vitória mais larga lhe daria controle total sobre o próprio destino. A equipe até começou com postura agressiva, intensidade na pressão e domínio territorial.
Logo nos primeiros minutos, o erro na saída de bola boliviana abriu espaço para o primeiro golpe. Após recuperação ofensiva, a jogada terminou com defesa de Lampe em finalização inicial, mas Lucho Acosta apareceu atento para aproveitar o rebote e abrir o placar.
O argentino vive um momento de crescimento técnico desde o retorno após lesão no joelho. Com mais ritmo e confiança, voltou a ser um jogador capaz de acelerar transições e oferecer criatividade em um setor que vinha oscilando nas últimas semanas.
O início forte, porém, não se transformou em controle absoluto.
O Fluminense diminuiu a intensidade, permitiu mais circulação de bola ao Bolívar e passou a oferecer espaços entre suas linhas. Foi justamente nesse cenário que surgiu o empate. Em jogada construída nas costas da defesa tricolor, Melgar apareceu livre para finalizar e recolocar o time boliviano na partida.
O gol mudou o ambiente no Maracanã.
A equipe carioca passou a demonstrar ansiedade e dificuldade para transformar posse de bola em chances claras. O goleiro Lampe se transformou em peça importante para o Bolívar ao segurar oportunidades criadas por Hércules e Savarino.
A mudança veio do banco.
As entradas de Castillo e Yeferson Soteldo deram mais profundidade ofensiva e aumentaram o volume de jogo do Fluminense. O segundo gol quase saiu em uma jogada aérea anulada por impedimento, mas a insistência finalmente encontrou recompensa.
John Kennedy, um dos símbolos recentes da base de Xerém, apareceu novamente em momento decisivo. Após boa construção pelo lado ofensivo, o atacante recebeu dentro da área e finalizou firme para devolver a vantagem ao Tricolor.
O gol trouxe alívio, mas não tranquilidade.
Nos minutos finais, o Fluminense voltou a apresentar dificuldades defensivas, oferecendo espaços para contra-ataques e permitindo que o Bolívar permanecesse vivo até os últimos instantes.
A análise da partida reforça um padrão que tem acompanhado o time ao longo da temporada: capacidade de competir em jogos decisivos, mas também oscilações que custam controle emocional e segurança tática.
O retorno de jogadores importantes, a resposta positiva de nomes como John Kennedy e o crescimento de Acosta surgem como pontos positivos. Por outro lado, a dificuldade para administrar vantagens segue sendo um alerta importante.
Agora, o cenário é simples na teoria e complexo na prática.
O Fluminense continua vivo. Mas o sonho das oitavas não depende apenas do que o time fizer dentro de campo. O Maracanã voltará a ser palco de mais uma decisão — e desta vez não haverá espaço para erro.