A última dança
“The Last Dance”: Neymar transforma última chance pela Copa em frustração
Camisa 10 do Santos vive entre o passado brilhante e o presente que já não convence
17/05/2026 17h45 Atualizada há 3 semanas
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Foto: Reprodução

Durante anos, falar de Neymar na Seleção Brasileira era discutir protagonismo, genialidade e esperança de títulos. O camisa 10 foi o rosto de uma geração inteira, carregou expectativas gigantescas e, gostem ou não dele, esteve no centro do futebol brasileiro por mais de uma década. Mas o futebol é cruel justamente com aqueles que parecem eternos. E talvez a maior dificuldade de Neymar hoje seja aceitar que o tempo, o físico e o próprio cenário da Seleção já não giram mais ao seu redor.

A aproximação da convocação final para a Copa do Mundo de 2026 transformou cada jogo do atacante em uma espécie de teste definitivo. A missão era clara: convencer Carlo Ancelotti de que ainda existe espaço para ele entre os selecionáveis do Brasil. O problema é que, dentro de campo, Neymar não conseguiu oferecer respostas convincentes.

Desde a chegada de Ancelotti ao comando da Seleção, o craque sequer foi convocado uma vez. E isso não aconteceu por acaso. Entre lesões, problemas físicos, falta de sequência e atuações irregulares, Neymar passou mais tempo cercado de dúvidas do que de atuações realmente impactantes. A impressão deixada é que o técnico italiano decidiu observar o jogador à distância, esperando um sinal claro de recuperação técnica e física que nunca chegou de forma definitiva.

E então surgiu o cenário perfeito para a chamada “última dança”.

Na Neo Química Arena, diante de um estádio lotado, com atenção nacional voltada para ele, Neymar tinha a oportunidade ideal para mostrar que ainda poderia ser decisivo em alto nível. O adversário era o Coritiba. O roteiro parecia pronto para uma manhã de redenção. Mas o que se viu foi justamente o contrário.

O Santos foi dominado, perdeu por 3 a 0 e Neymar passou longe de ser o protagonista que o torcedor esperava. Sem intensidade, sem explosão física e sem conseguir desequilibrar em nenhum momento importante da partida, o camisa 10 viu mais uma chance escapar diante de seus próprios torcedores.

Como se a atuação apagada já não fosse suficiente, a saída de campo transformou o fim da noite em um episódio quase simbólico. O erro grotesco do quarto árbitro ao indicar equivocadamente o número da camisa do atacante provocou uma reação exagerada e desesperada de Neymar à beira do gramado. A cena rapidamente ganhou repercussão e acabou resumindo muito do momento atual do jogador: tensão, desgaste emocional e dificuldade em lidar com um cenário que já não lhe entrega o protagonismo automático de outros tempos.

Talvez o maior problema não seja Neymar não jogar mais em alto nível com frequência. Muitos grandes jogadores passam por isso no fim da carreira. A questão é que o futebol brasileiro parece ainda viver preso à lembrança do que ele foi, enquanto o presente mostra outra realidade.

A Copa do Mundo exige intensidade, ritmo, competitividade e capacidade física no limite máximo. Exige jogadores preparados para decidir partidas em sequência, suportar pressão e manter regularidade. Hoje, Neymar parece muito distante dessa condição.

Foto: Mauricio De Souza/AGIF

Isso não apaga sua história. Neymar continuará sendo um dos maiores talentos produzidos pelo futebol brasileiro nas últimas décadas. Seus números, títulos, dribles e momentos decisivos permanecem intactos. Mas convocação para Copa do Mundo não pode funcionar como homenagem, gratidão ou reconhecimento por serviços prestados.

Se estiver na lista final de Ancelotti, Neymar precisará justificar a escolha dentro de campo, algo que até agora não conseguiu fazer neste ciclo. E se ficar fora, talvez seja apenas a confirmação inevitável de que o futebol brasileiro finalmente começou a olhar para frente, mesmo que isso signifique encerrar um dos capítulos mais marcantes — e mais frustrantes — da história recente da Seleção Brasileira.