Setor Roxo
Hamilton comemora, Antonelli some após maldição de Kim Kardashian e a Audi ainda tenta se achar: os destaques do GP da Espanha
Coluna de Danilo Queiroz desta segunda-feira, 16.
15/06/2026 10h00
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Já foram sete corridas, faltam 15! Saímos de Barcelona com Lewis Hamilton fazendo história pela Ferrari, Kimi Antonelli deixando escapar um carro que estava em segundo lugar e a Williams presenteando seu piloto mais fiel com um abandono no dia mais especial de sua carreira. Mônaco nos tirou o sono, Barcelona nos tirou o senso. Vamos lá?

O DIA EM QUE LEWIS HAMILTON FINALMENTE CHOROU DE FELICIDADE NUMA FERRARI

Heptacampeão. Sete títulos. Trezentas e tantas vitórias. E o homem ainda encontrou uma forma de fazer história neste domingo: Lewis Hamilton venceu pela primeira vez com a Ferrari no GP da Espanha, em Barcelona, e foi exatamente o tipo de vitória que define uma carreira. Estratégia agressiva de três paradas, pit stop certeiro no Virtual Safety Car da volta 41 (quando Alonso resolveu estacionar na área de escape da curva 9 em mais um momento poético de Alonso), e retorno à pista na frente de todos com pneus frescos. Foi Hamilton, como há muito tempo não era. O placar agora está em 115 pontos, com a desvantagem para Antonelli diminuindo. A temporada ficou mais interessante. Eu disse que ele ia aparecer em Mônaco. Apareceu em Barcelona. Próximo passo: vencer em Monza. O homem adora um roteiro de cinema. Tanto é que teve aquele envolvimento todo com o filme da F1.

KIM KARDASHIAN, OS BEBEDORES DE LEITE E A MALDIÇÃO DA TOALHA

Antes de falar do abandono de Antonelli em Barcelona, precisamos falar do que aconteceu antes. Em Mônaco, Kim Kardashian — namorada de Hamilton, presente no paddock para apoiar o heptacampeão — foi filmada limpando o rosto em uma toalha que, detalhe importante, pertencia a Kimi Antonelli. A toalha reservada da Mercedes. Do líder do campeonato. Antonelli, com a elegância de seus 19 anos, não brigou: fez um TikTok repetindo "where is my towel?" e viralizou. Kim, constrangida, mandou uma toalha branca nova com os dizeres bordados: "To Kimi from Kim". O italiano respondeu com um sorriso e um "thank you Kim!" em vídeo para o Instagram da Mercedes. Caso encerrado? Talvez não.

Circula pela internet uma teoria — e eu não confirmo, apenas repasso com o prazer jornalístico que a ocasião exige — de que a família Kardashian tem raízes armênias e faz parte de uma seita conhecida popularmente como os Bebedores de Leite, cujo profeta teria ordenado a fuga para Los Angeles antes da guerra e das invasões à Armênia. Na cultura do país, dizem os mais velhos, o suor carrega poder sobre o outro. Roubar a toalha de alguém seria, simbolicamente, roubar um pedaço de sua força vital. E o que aconteceu com Antonelli em Barcelona? Estava em segundo lugar, havia acabado de ultrapassar Russell na volta 61 com uma bela manobra na curva 1, e então... o carro parou. Problema de confiabilidade. Abandono. Eu não estou dizendo que Kim Kardashian amaldiçoou Kimi Antonelli. Mas também não estou dizendo que não.

O ABANDONO QUE NINGUÉM QUERIA VER

Deixando as teorias armênias de lado por um segundo: Antonelli fez uma boa corrida até onde durou. Largou em terceiro, segurou Norris nas primeiras voltas, ultrapassou Russell e foi para o segundo lugar. Estava a caminho de mais um pódio quando a mecânica decidiu que não, ele não ia não. O resultado é que a vantagem no campeonato caiu de 66 para 41 pontos sobre Hamilton. Ainda é confortável. Mas a temporada está longe de acabar e a Mercedes vai precisar resolver os problemas de confiabilidade antes que eles se tornem o verdadeiro adversário do menino de Bolonha.

MAIS UM PRESENTE DA KIM: LECLERC TAMBÉM ABANDONOU

Por falar em amaldiçoados: Charles Leclerc também ficou pelo caminho em Barcelona por problemas mecânicos. É a segunda corrida seguida que o monegasco abandona — bateu em Mônaco, quebrou em Barcelona. A Ferrari terminou o fim de semana com um Hamilton no degrau mais alto e um Leclerc no box mais cedo do que gostaria. A escuderia italiana é isso: ou te dá tudo ou te tira tudo, às vezes no mesmo fim de semana. Relação tóxica, eu chamo.

NORRIS NO PÓDIO SEM TER FEITO MUITA COISA

Lando Norris terminou em terceiro. Parabéns, Lando. Dito isso: o atual campeão mundial admitiu nesta semana que a defesa do título está se tornando "praticamente impossível". Em sete corridas, acumula apenas 73 pontos — 83 a menos que Antonelli. Para ter uma referência: a pior defesa de título nas primeiras etapas de uma temporada moderna havia sido a de Sebastian Vettel em 2014, quando a Mercedes tomou conta do campeonato com os novos motores híbridos e o alemão ficou para trás, com 217 pontos atrás do campeão Lewis Hamilton. Norris está trilhando um caminho parecido. O terceiro lugar em Barcelona é a boa notícia. A má notícia é que ele precisa de muito mais do que terceiros lugares para mudar o rumo desta temporada.

ALBON QUEBROU O RECORDE E GANHOU UM ABANDONO DE PRESENTE

Alexander Albon chegou a Barcelona para disputar sua 96ª corrida pela Williams, tornando-se o piloto com mais largadas pela equipe britânica na história da Fórmula 1 — superando a marca de Nigel Mansell, que durava desde 1994. A Williams deu ao tailandês um capacete especial inspirado no modelo de Mansell, o campeão de 1992 gravou um vídeo em homenagem, tudo muito bonito, tudo muito emocionante. E então Albon abandonou a corrida. Cinco anos com a equipe, 96 largadas, e o presente do recorde histórico foi um DNF. A Williams continua sendo a Williams de 2026: cheia de história, com o carro pesado demais e os resultados longe demais.

GASLY NO PÓDIO DE MÔNACO? SIM, AGORA SIM

Um adendo para os registros históricos: a Alpine entrou com recurso após Mônaco e ganhou. Pierre Gasly ficou com o terceiro lugar do GP de Mônaco, que havia sido dado a Isack Hadjar na classificação original. Isso fez o francês saltar para 41 pontos no campeonato, enquanto Hadjar caiu para 34. Na corrida de Barcelona, Gasly terminou em sétimo. A Alpine segue sendo a equipe mais litigante do paddock — dentro do carro, nas pistas e nos tribunais.

A AUDI AINDA TENTA SE ENCONTRAR

Gabriel Bortoleto terminou em 11°, fora dos pontos, pela quarta vez em sete corridas. Nico Hülkenberg abandonou. A Audi está naquele momento em que você olha pro carro, pro regulamento e pro campeonato e não sabe exatamente por onde começar, que nem aquele tweet da Roberta Miranda que ela dizia: "FIQUEI MEIO ATORDOADA COM A NOTICIA..OLHO PRO TECLADO D MEU PC...E NÃO SEI MAIS O Q DIZER...SÓ SENTIR...". Bortoleto tem feito o que pode dentro do que tem. O que tem, infelizmente, ainda não é suficiente.

COMO ESTÁ O CAMPEONATO

Apesar de um mau fim de semana, Kimi Antonelli construiu sua vantagem confortavelmente ao longo dessa primeira metade da temporada, e lidera com 156 pontos. O Kimo Kardashiano, Lewis Hamilton, vem atrás com 115. O George Russell, cada vez mais corigado das ideias, chega com 106. Charles Leclerc tem 75, e o campeão água de salsicha Lando Norris fica em quinto com 73 pontos. Logo atrás tem Oscar Piastri com 68 (cuja última vitória foi ainda quando o Charlie Kirk estava vivo), Max Verstappen com 55, Pierre "me dê meu pódio" Gasly com 41, e Isack "tomaram meu pódio" Hadjar com 34. Liam Lawson fecha o top 10, com 26 pontos.

A novidade é Hamilton no encalço — e o fato de que Russell, sem abandonar, está colando no companheiro de equipe. A guerra civil mercedista agora tem dois fronts: um externo, contra a Ferrari de Hamilton, e um interno, contra o Jorjão, que terminou em segundo e se mantém vivo, ainda que por aparelhos, no campeonato. A próxima corrida é o GP da Áustria, em Spielberg.

Esse foi o Setor Roxo de hoje! Até a Áustria!